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Interrupções do Fornecimento de Energia Elétrica

Segunda, 12 de Dezembro

As redes elétricas, por mais cuidadas e por melhor manutenção a que sejam submetidas, por melhores e mais fiáveis sistemas de proteção que possuam, estão sempre sujeitas a que acidentes e incidentes externos possam provocar uma falha, mais ou menos longa, de energia elétrica.

No caso das redes de baixa tensão aéreas, uma vez que os cabos e condutores constituintes das mesmas possuem proteção através de isolamento, não estão tão sujeitas a alguns dos fenómenos a que estão sujeitas as redes de média e alta tensão, pois estas são construídas através de condutores elétricos sem isolamento. Assim, uma parte substancial de falhas de energia que se sentem na baixa tensão são provocados por incidentes e acidentes em níveis de tensões mais elevados.

No caso de tensões mais elevadas, por exemplo, um simples ramo de árvore levado pelo vento, uma ave que choque com uma linha, podem provocar em condutores nus a atuação automática de proteções que originam uma perturbação na rede podendo levar a uma interrupção no fornecimento de energia, interrupção esta mais ou menos longa, consoante a gravidade dos danos causados.

Em algumas situações, o rearme automático das proteções permite que a energia seja reposta em tempos relativamente curtos, mas se os danos forem elevados, poderá ser necessária a deslocação de uma equipa técnica ao local para reparação da avaria, levando a um tempo de corte mais prolongado.

Além destas interrupções fortuitas, poderão existir outras interrupções causadas por obras, choque de viaturas com postes da rede elétrica, vandalismo, etc.

O Regulamento das Relações Comerciais publicado pela ERSE estipula vários motivos de interrupções no fornecimento de energia elétrica.

No Artigo 69.º deste regulamento estão especificados os motivos de interrupção:

  • Casos fortuitos ou de força maior.
  • Razões de interesse público.
  • Razões de serviço.
  • Razões de segurança.
  • Facto imputável aos operadores de outras redes.
  • Facto imputável ao cliente.
  • Acordo com o cliente.

Este mesmo regulamento remete para o Regulamento da Qualidade de Serviço, o qual define no seu Artigo 3.º, entre outras:

  • Cava da tensão de alimentação - diminuição brusca da tensão de alimentação para um valor situado entre 90% e 5% da tensão declarada (ou da tensão de referência deslizante), seguida do restabelecimento da tensão num intervalo de tempo entre dez milissegundos e um minuto, de acordo com a NP EN 50160.
  • Interrupção breve: mais que 1 segundo e menos que 3 minutos.
  • Interrupção longa: mais que 3 minutos.

No Artigo 16.º são definidos os motivos de interrupção, entre os quais:

  • Interrupções por casos fortuitos - as interrupções ocorridas em situações que reúnam as condições estabelecidas no Artigo 7.º.
  • Interrupções devidas a outras redes ou instalações - as interrupções que tenham origem nas redes ou instalações de outros operadores, produtores ou clientes.

O nº 2 do Artigo 7°. por sua vez define: "Consideram-se casos fortuitos as ocorrências que, não tendo acontecido por circunstâncias naturais, não poderiam ser previstas".

A Diretiva n.º 20/2013 da ERSE prevê que seja admissível que durante o período de um ano possam existir 8 horas de falha de energia (SAIDI) e 7 interrupções acidentais longas (SAIFI), ou seja, com uma duração superior a 3 minutos, uma vez que a interrupções breves não são contabilizadas por serem, na sua maioria devidas a fenómenos atmosféricos, como sejam alguns dos descritos anteriormente.

Assim. embora seja de todo desagradável qualquer interrupção no fornecimento de energia, a CEL cumpre anualmente todos os padrões da qualidade de serviço, estando sempre abaixo dos limites de SAIDI e SAIFI referidos anteriormente.

Para mais esclarecimentos poderá contactar os serviços da CEL ou da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.